Muitas vezes, temos a falsa ideia de que para ser santo é preciso abandonar o mundo, viver em um mosteiro ou dedicar-se exclusivamente a atividades eclesiásticas. No entanto, no século XX, uma voz se levantou para recordar uma verdade esquecida desde os primeiros cristãos: Deus nos espera em meio às coisas mais comuns do nosso dia a dia.
Essa voz era a de Josemaria Escrivá, o fundador do Opus Dei e o “santo do cotidiano”. Para ele, a mesa de um designer, o balcão de um comerciante e as tarefas de um lar são os cenários reais onde a santidade deve ser conquistada.
Nascido em Barbastro, Espanha, em 1902, Josemaria foi um sacerdote que recebeu de Deus a missão de abrir um novo caminho na Igreja. No dia 2 de outubro de 1928, durante um retiro espiritual, ele “viu” o que Deus queria: uma instituição que recordasse a todos os batizados que eles são chamados à plenitude da vida cristã através do trabalho e dos deveres ordinários.
Canonizado por São João Paulo II em 2002, ele foi chamado pelo Papa de “o santo da vida ordinária”.
A grande evidência teológica que São Josemaria trouxe foi a de que o trabalho não é um castigo, nem apenas um meio de sobrevivência, mas uma participação na obra criadora de Deus. Ele resumia essa missão em três pontos fundamentais:
Santificar o Trabalho: Fazer a tarefa com a maior perfeição possível (excelência técnica e estética), por amor a Deus.
Santificar-se no Trabalho: Perceber que o esforço, a paciência com os erros e a disciplina moldam o nosso caráter e a nossa alma.
Santificar os Outros com o Trabalho: O trabalho bem feito é um testemunho silencioso que atrai as pessoas para perto de Deus (o apostolado).
Para você, Julian, que trabalha com design e tecnologia, a mensagem de São Josemaria é direta: cada pixel, cada linha de código e cada estratégia de SEO podem ser transformados em oração se forem feitos com intenção reta e caridade.
Outro conceito central na espiritualidade de Escrivá é a unidade de vida. Ele combatia a “dupla personalidade espiritual”: aquela pessoa que é piedosa na Igreja, mas desonesta nos negócios ou relaxada em casa.
Para São Josemaria, o cristão deve ser o mesmo em todos os lugares. Não há “coisas profanas” e “coisas sagradas” para quem olha o mundo com olhos de fé. Tudo o que é humano pode ser divinizado. Como ele mesmo dizia: “Ou sabemos encontrar o Senhor em nossa vida comum, ou nunca o encontraremos”.
A força para viver essa rotina exigente vem de uma consciência profunda: nós somos filhos de Deus. Essa filiação divina era o fundamento da alegria e do otimismo de Josemaria. Um filho de Deus não teme as dificuldades, não se desespera com o cansaço e vê em cada pessoa um irmão. Sob o olhar do Papa Leão XIV, a Igreja continua a incentivar essa espiritualidade laical que transforma o mundo por dentro, como o fermento na massa.
“Onde estão os vossos anseios, o vosso trabalho, os vossos amores, aí está o lugar do vosso encontro cotidiano com Cristo.”
“Queres de verdade ser santo? Cumpre o pequeno dever de cada momento: faz o que deves e está no que fazes.”
“Um segredo. — Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos.”
Fontes:
Vaticano (Santa Sé): Biografia oficial e homilia de canonização de São Josemaria Escrivá por São João Paulo II (6 de outubro de 2002).
Obras de São Josemaria Escrivá: Livros como “Caminho”, “Sulco” e “Forja”, que contêm os pontos de meditação fundamentais de sua espiritualidade.
Site Oficial do Opus Dei: Documentação histórica e teológica sobre o carisma da santificação do trabalho e da vida ordinária.
Catecismo da Igreja Católica (Artigos 897-913): Sobre a vocação dos fiéis leigos e o chamado à santidade no meio do mundo.
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