Quem acessa o meu blog ou acompanha o meu trabalho com design e tecnologia pode pensar que sempre fui o típico católico de banco de igreja. Mas a verdade é bem diferente. Por 15 anos, a minha resposta para a existência de Deus foi um “não” categórico. Eu não era um ateu revoltado que vivia em farras ou fazendo coisas moralmente erradas; eu mantinha uma conduta reta, mas, na minha cabeça, o universo era apenas um relógio biológico frio e sem um Criador acima de tudo.
A minha incredulidade nasceu de uma ferida profunda. Aos 13 anos, vi meu pai travar uma batalha devastadora contra um câncer no estômago. Naquela época, eu era um garoto religioso. Frequentava a igreja e, com toda a pureza da infância, rezava todas as noites pedindo a cura dele. Quando ele faleceu, algo quebrou dentro de mim. A lógica infantil me disse que, se Deus existisse e fosse bom, Ele teria ouvido o meu clamor. Diante da dor do luto, fechei as portas do meu coração para o Céu.
Durante toda a minha juventude e início da vida adulta, de forma intrigante, eu tinha sonhos recorrentes com algo que parecia ser Deus. Mas a minha mente racional e o escudo que eu havia criado contra a frustração me faziam recusar qualquer tentativa de acreditar.
Até que completei 28 anos. E Deus usou a criatura mais inocente para quebrar o meu orgulho: uma cachorrinha.
Adotei a Lucy e, pouco tempo depois, ela contraiu cinomose. Ela sobreviveu à doença, mas o vírus deixou sequelas graves no seu sistema nervoso. A pior delas eram as convulsões. Mesmo levando-a aos melhores veterinários e seguindo os tratamentos à risca, houve uma crise terrível.
A Lucy passou a ter convulsões violentas e seguidas, em intervalos de trinta minutos. Passávamos as noites em claro. Eu via o desespero e o cansaço nos olhos daquela cachorrinha desnorteada, e o meu próprio cansaço físico começou a me esgotar. Chegou um momento em que a medicina parecia ter alcançado o seu limite prático.
Foi aí que, no limite das minhas forças, decidi fazer algo que ia contra toda a minha filosofia ateísta dos últimos 15 anos. Olhei para o teto do quarto antes de dormir e apelei para a oração. Foi uma prece tímida, um voto de desespero de quem não queria perder quem amava.
O que aconteceu naquela noite desafia qualquer estatística médica: a Lucy dormiu a noite inteira. Eu também dormi. No dia seguinte, ela acordou superanimada. Mas o verdadeiro sinal veio depois: ela ficou três meses inteiros sem ter uma única convulsão, mesmo tendo suspendido temporariamente os remédios antigos.
Aquela “janela de paz” de três meses não foi apenas um alívio; foi o tempo exato que precisei para encontrar, de forma providencial, o veterinário que a atende até hoje. Ele ajustou a dose exata da medicação ideal. Hoje, a Lucy ainda tem uma crise ou outra de vez em quando, mas são episódios rápidos, quase imperceptíveis, que não tiram a alegria dela. Deus usou aquela pausa milagrosa para salvar a vida da minha companheira e, de quebra, curar a minha alma.
Após o episódio da Lucy, voltei a frequentar a igreja. No início, eu era aquele católico tímido do fundo do templo, ainda processando o que havia acontecido. Mas quando você dá um passo em direção a Deus, Ele corre em sua direção.
De repente, a engrenagem da minha vida começou a girar com uma fluidez que eu nunca tinha experimentado. Meu trabalho autônomo começou a prosperar. E na minha vida pessoal, o maior milagre se concretizou. Eu sempre fui um cara reservado, sozinho; passei sete anos sem me relacionar com absolutamente ninguém. Foi quando Deus colocou a minha atual namorada no meu caminho.
Ela não foi apenas uma parceira de vida, mas a resposta de Deus para a minha caminhada espiritual. Desde que começamos a namorar, nossa relação assumiu uma identidade cristã real e madura. Hoje, nós rezamos o Santo Terço todos os dias, vamos à Missa juntos sem falta todo domingo e frequentamos regularmente o confessionário. Ela tem sido o meu maior apoio para fincar raízes profundas na Igreja.
Hoje, a Lucy já está com 3 anos de idade e segue firme e forte, sendo a nossa alegria diária e um testemunho vivo daqueles três meses de silêncio clínico que mudaram a minha história.
Olhando para a minha vida agora, percebo que a conversão gerou uma ordem profunda em tudo o que faço. Aquela apatia do passado deu lugar a uma nova energia: voltei a frequentar a academia, cuidando do corpo que é o templo do Espírito Santo, e hoje consigo focar muito mais no meu trabalho, produzindo com uma disciplina e um propósito que eu simplesmente não tinha antes.
Atualmente, estou fazendo a catequese de adultos para receber o sacramento da Crisma, o selo que eu não havia recebido na adolescência. Olhando para trás, vejo que Deus nunca deixou de me enviar sinais (até mesmo naqueles sonhos que eu insistia em ignorar). Ele esperou pacientemente que o meu coração de pedra voltasse a ser um coração de carne. Hoje, posso dizer com a autoridade de quem viveu nos dois extremos: a vida com Cristo não nos priva de problemas, mas ordena a nossa mente, fortalece o nosso corpo e nos dá a certeza de que nunca mais enfrentaremos as tempestades sozinhos. Estou, finalmente, em casa e genuinamente feliz.

Lucy com toda sua fofura e carinho que transformou e mostrou o caminho certo para esse que vos fala hoje.
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