“Ó poderosa e gloriosa Santa Rita de Cássia, advogada das causas impossíveis, desesperadas e urgentes, olhai para mim com compaixão. Vós que passastes pelas maiores provações desta vida e fostes consolada pelo espinho de Cristo, vinde em meu auxílio. Concedei-me a graça de que tanto necessito (fazer o pedido) se for para a glória de Deus e o bem da minha alma. Ajudai-me a manter o coração puro, a mente focada e a vontade firme na virtude. Amém.”
O dia 22 de maio faz o mundo católico voltar os olhos para a pequena cidade de Cássia, na Itália. É o dia em que celebramos o trânsito celestial de Margherita Lotti — que o mundo aprendeu a amar simplesmente como Santa Rita.
Muitas vezes, a cultura popular reduz os santos a figuras intocáveis que viveram em uma redoma de vidro. Rita, porém, viveu todas as vocações e enfrentou as dores mais profundas da existência humana: foi jovem, esposa, mãe, viúva, perdeu os filhos e, finalmente, consagrou-se como religiosa. Em cada uma dessas etapas, ela deu uma resposta de santidade que desafia a psicologia humana comum.
Na juventude, Rita desejava o convento, mas, seguindo a vontade de seus pais, casou-se com Paulo Ferdinando. Seu marido era um homem violento, colérico e envolvido nas sangrentas disputas políticas da Itália do século XIV. Para muitas mulheres, aquela situação seria o decreto de uma vida destruída.
Rita, contudo, recorreu à arma da oração silenciosa, da paciência e da conduta moral reta. Ela não aceitava os erros do marido, mas lutava pela alma dele. Durante 18 anos, sua mansidão foi desarmando o coração de pedra de Paulo, que acabou se convertendo, pedindo perdão a Deus e mudando completamente de vida antes de ser tragicamente assassinado por seus antigos inimigos de facção.
Após o assassinato do marido, os dois filhos de Rita, Gian Giacomo e Paulo Maria, cresceram alimentando o desejo de vingança — um pecado mortal que, na época, perpetuava ciclos de sangue por gerações.
Diante da iminência de ver seus filhos perderem a alma para a eternidade por causa do crime de assassinato, Rita fez uma das orações mais difíceis da história da hagiografia: pediu a Deus que, se Ele não pudesse mudar o coração dos seus filhos para arrancar deles o desejo de vingança, que os levasse deste mundo antes que eles cometessem o pecado mortal.
Deus ouviu a essência da sua oração. Ambos adoeceram e faleceram em estado de graça, perdoando os assassinos do pai. Rita sofreu a dor humana do luto, mas garantiu a salvação eterna dos seus filhos.
Sozinha no mundo, Rita superou barreiras impossíveis — incluindo a reconciliação pública das famílias rivais de sua cidade — para ser aceita no Convento das Agostinianas. Lá, sua vida de oração atingiu o ápice.
Em uma Sexta-feira Santa, ao rezar diante de uma imagem de Cristo Crucificado, ela pediu para partilhar de alguma forma das dores de Jesus. Foi quando um espinho da coroa de Cristo desprendeu-se do crucifixo e cravou-se em sua testa. Essa ferida mística, que exalava um odor forte e causava dores lancinantes, permaneceu com ela por 15 anos como um selo de sua união com o sofrimento redentor de Cristo.
Perto de sua morte, já acamada, Rita recebeu a visita de uma parente e lhe fez um pedido inusitado: que fosse ao jardim de sua antiga casa e lhe trouxesse uma rosa. Detalhe: era pleno inverno italiano, época em que a neve cobria tudo e a vegetação estava morta.
A parente foi até lá por pura condescendência e, para seu absoluto espanto, encontrou uma roseira viçosa com uma linda rosa vermelha desabrochada no meio do gelo. Esse fato histórico deu origem à tradicional Bênção das Rosas que a Igreja realiza até hoje no dia 22 de maio.
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