Se você, assim como eu, está redescobrindo a vida religiosa e tem o hábito de rezar o Pai-Nosso em casa ou com a família, certamente já passou por aquela situação curiosa na Santa Missa: o padre termina a oração, a assembleia conclui com “mas livrai-nos do mal” e… silêncio. Nada de “Amém”.
Eu confesso que, no início, isso me causou estranheza. Parecia que a oração tinha sido interrompida, que faltava algo. Mas, ao estudar um pouco mais sobre a nossa liturgia, entendi que esse pequeno detalhe esconde uma beleza profunda sobre o que a Igreja está fazendo naquele momento.
A primeira coisa que precisamos entender é que a Santa Missa é uma unidade. Diferente da nossa oração pessoal, onde dizemos “Amém” para selar cada pedido que fazemos, na Missa, o Pai-Nosso não é uma oração que termina em si mesma.
O Pai-Nosso na celebração eucarística funciona como uma ponte. Ele nos prepara para a Comunhão, para o banquete do Altar. Por isso, quando chegamos à frase “mas livrai-nos do mal”, a Igreja não encerra o diálogo ali. O padre, em nome de toda a assembleia, continua a prece com o que chamamos de embolismo:
“Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai hoje a nossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador.”
Percebe que a oração não parou? O padre está apenas desenvolvendo o último pedido do Pai-Nosso: “livrai-nos do mal”.
Nós não dizemos “Amém” ali porque a oração comunitária ainda está em curso. Nós só selamos essa grande súplica com o nosso “Amém” quando, logo após o embolismo do padre, nós (o povo de Deus) proclamamos em uma só voz a doxologia final:
“Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!”
É somente aqui que dizemos o “Amém”. Ao dizer esse “Amém” final, estamos ratificando toda a oração do Pai-Nosso, o pedido de livramento feito pelo padre e a nossa declaração de que tudo pertence a Deus.
Para nós, que muitas vezes viemos de uma caminhada onde a oração era algo puramente individual, aprender esses detalhes da Missa é um exercício de humildade. Entender que o “Amém” não é apenas um ponto final, mas uma resposta de fé que damos em conjunto, nos ajuda a sair do nosso “eu” e a entrar no “nós” da Igreja.
Na próxima vez que você estiver na Missa, tente observar esse momento. Não como uma regra ou uma proibição, mas como um convite da Igreja para que você respire junto com a assembleia, mantendo a atenção viva até o fim daquela oração tão poderosa.
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Essas pequenas dúvidas são muito comuns para quem está recomeçando, e saber a resposta faz toda a diferença para viver a Missa com mais consciência.
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